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fatocomentado@bol.com.br Por: Tiago Mesquita

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Bêbado e o equilibrista

Estava ouvindo uma música que é conhecida por todos os Brasileiros, para alguns pode ser até o hino da mpb. Sempre tive vontade de saber do que se tratava a música, qual o sentido, o significado, fui pesquisar e obtive alguns resuldados.


O Bêbado e o equilibrista entoada pela nossa eterna Elis Regina


 
No fim da década de 70, existia toda uma pressão para uma abertura democrática no Brasil Período de grandes conflitos contra o governo durante o período de ditadura militar. O Bêbado e o equilibrista, a utopia e a esperança, traz em cada verso, um pequeno pedaço de cada batalha durante o período de ditadura.

 
Compositores: João Bosco e Aldir Blanc
Intérprete: Elis Regina
Ano: 1979
Disco: Essa Mulher

A música

Caía a tarde feito um viaduto
Cair a tarde” é mais do que um anoitecer – é algo forte, brutal, se a referência à escuridão já não for suficiente. Era quando as sessões de tortura do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) começavam. Refere-se à queda de uma parte do Viaduto Paulo Frontin (que, claro, era uma obra do  governo), no Rio de Janeiro, em 1971, que deixou 48 mortos.
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
Carlitos era um dos personagens mais conhecidos de Charlie Chaplin. Um andarilho usando chapéu-coco, bigode e um paletó muito apertado que, apesar de pobre, age como um cavalheiro. Fica clara a contradição entre “bêbado” e “luto”:  a alegria do vagabundo que tenta driblar a situação e o estado melancólico da sociedade brasileira.
A lua, tal qual a dona do bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
A Lua não tem brilho próprio, mas como proprietária do prostíbulo, rouba-o das suas empregadas; um brilho fosco e falso.  Há quem defenda a teoria de que a Lua seria a Rede Globo, a dona do bordel da mídia e um dos maiores instrumentos de manipulação na época. Foi justamente durante a ditadura que a Globo se estruturou e ganhou a confiança dos telespectadores que tem hoje. Outros dizem que representa os políticos que se colocaram ao lado do regime militar em troca de benefícios pessoais, mas qualquer música está sujeita a interpretações e eu não estou aqui para decidir a melhor por vocês.
E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas, que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil
Mata-borrão é um papel que absorve a tinta em excesso das canetas-tinteiro para evitar erros, representando alguém em um alto cargo. Como “céu” remete a religiosidade, a alusão é à Igreja Católica, que demorou até assumir uma posição no cenário político, mas acabou pendendo para a democratização do país. É evidente o protesto contra a violência que era usada, em uma noite em que só um bêbado poderia sentir-se alegre, a loucura alcoólica como única justificativa para a aceitação passiva do regime.
Meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete
Chora a nossa pátria mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil
Henfil era na verdade o cartunista, jornalista e escritor Henrique Filho, e o irmão do Henfil, Herbert José de Souza, sociólogo e ativista dos direitos humanos.  Herbert foi um dos exilados, como tantos outros que partiram. “[Pegar um] rabo de foguete” é uma expressão equivalente a “entrar numa fria”, algo feito às pressas e que obviamente vai dar errado.
Já Clarice era esposa do jornalista Vladimir Herzog, que fazia parte do movimento de resistência contra o regime e teve um suicídio por enforcamento muito mal forjado em uma cela do DOI-CODI. Maria, por sua vez, era esposa do metalúrgico Manuel Fiel Filho, torturado até a morte sob a acusação de fazer parte do Partido Comunista Brasileiro, embora seu real crime tenha sido ler o jornal A Voz Operária.  No plural, “Marias e Clarisses” são todas as mulheres, sejam mães, filhas ou esposas, que sofreram por alguém que fora torturado ou exilado.
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar
A expressão artística, única arma disponível para defender a democratização, seria usada exaustivamente pelos artistas que não se conformavam com a opressão. O comportamento da sociedade vivia na corda bamba, sempre por um triz de ser pego fora da linha estipulada pelos militares. Mas… Azar! O show tem de continuar.


Recomendações, vale a pena ler

Diário de um Cucaracha do Henfil, são cartas do período, recomendo!

Pesquisa: http://www.artilhariacultural.com/2010/07/02/por-tras-da-musica-o-bebado-e-a-equilibrista/ Acesso em:05/12/2011 - Matéria tirada como base - Adaptado.


Por: Tiago Mesquita



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